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O homem do banco branco, a amoreira e a escola Waldir Garcia: o teatro vai à escola e a escola vai ao teatro

Por Ceane Simões, mãe e professora.

Na semana de 31 de outubro a 04 de novembro, alunos e educadores da Escola Municipal Prof. Waldir Garcia tiveram a oportunidade de vivenciar uma experiência de teatro com a Minha Nossa Cia. de Teatro, do Paraná. Essa companhia atua desde 2009 enfatizando “o cultivo de um lugar poético de reflexão, crítica e criação artística” . A escola Waldir Garcia, que já vem desenvolvendo rotineiramente atividades de artes cênicas junto aos estudantes por meio da Oficina de Teatro, que integra o conjunto de práticas pedagógicas da escola voltadas ao desenvolvimento integral das crianças, mergulhou no teatro literalmente.

Durante a semana as crianças puderam entrar em contato com a companhia de teatro e seus artistas na rotina da escola e no dia 04 de novembro a escola pode ir ao teatro Les Artiste Café apreciar o espetáculo O Homem do Banco Branco e a Amoreira, peça infantil que conta de maneira poética a história de um amor perdido no tempo. O símbolo de que as lembranças do amor perduram é o pé de amora, testemunha de encontro e descoberta desse sentimento que dá sentido à vida. A peça é permeada por silêncios e reminiscências, tensão, medo e muita ternura, o que torna o enredo bastante familiar e, ao mesmo tempo, inesperado. O desejo de reencontrar o amor perdido é a esperança de reencontrar a si mesmo e isto se funde ao medo de que tudo pare nas rugas do tempo.

O Homem do Banco Branco e a Amoreira é o primeiro espetáculo da Minha Nossa Cia. de Teatro, tendo participado de mostras e festivais em diversos estados do sul e sudeste do Brasil, quando no ano de 2015 o seu projeto de circulação foi contemplado pelo edital da Petrobrás e Lei Rouanet para apresentações em cidades no norte e nordeste, incluído também a realização de oficina junto às escolas da rede pública de ensino.

O currículo, como lembra Antônio Flávio Barbosa Moreira , é o espaço em que se desenrolam as experiências de aprendizagem que giram em torno do conhecimento escolar. É também aquilo que é criado nas vivências cotidianas. Valorizar a arte e integrá-la ao cotidiano da criança é, pois, uma escolha clara pela valorização do seu senso crítico e estético e pelo aguçamento de sua sensibilidade. Nesse caso, a arte atua também como ferramenta para o pensamento e para a atribuição de sentidos para a vida.

A vivência foi proporcionada num sentido de imersão, onde as crianças puderam perceber uma peça de teatro em sua totalidade (o cenário, a iluminação, a coreografia, o som, a atuação etc.) e ampliar a sua percepção sobre essa arte. Isso reafirma a relevância de uma educação que respeite, estimule, e acompanhe o estudante em suas interações com diferentes formas de linguagem e de expressão artística. A conversa com os artistas após a encenação e a participação de intérprete de Libras e a realização áudio-descrição no desenrolar da história deram um caráter verdadeiramente inclusivo à proposta. Certamente serão momentos inesquecíveis para as crianças. Vida longa à amoreira e aos amores!